Apenas um pequeno desabafo, nas situações vividas e repetidas em tempo onde eu acreditava piamente que não ocorreriam mais, ainda nesta encarnação.
Apenas um pequeno desabafo quando sei das coisas todas, da repetição triste daquelas situações de tormento – a casa dos meus vizinhos procurada para falar coisas horríveis de mim e da minha família; xingamentos e comentários na frente da pequena, sobre as pessoas que mais ela ama; e principalmente o recurso e união com aquela que você mesmo me ensinou a odiar tanto.
Não, eu não estou morta de raiva, e nem vou ficar.
Nem tampouco vou me juntar com outras pessoas, que igualmente te odeiam e querem usurpar o que lhe é de direito. Pessoas estas que mansamente já iniciam o processo de aproximação, para quiçá, tentar me aliciar em algum momento futuro.
Eu realmente farei jus ao seu palavreado tão honroso de ontem: honra, dignidade, seriedade. Não é porque fico contrariada que vou de encontro aos meus princípios. Não tenho tanto ódio dentro de mim, não vivo só para “lutar, guerrear contra inimigos, brigar, armar, articular”.
Vivo, primordialmente para o trabalho, honesto e esforçado, para a criação dos meus filhos, para meu casamento, para amar as pessoas que me amam.E você sabe disso, sabe no fundo da alma.
Decepção, esta é a palavra mais acertada e a que me dói mais a esta altura.
Eu acreditei em você, ofereci meu ombro (fui consolada também), minha casa, minha família, meu dinheiro, tudo o que tinha eu entreguei, mesmo sabendo que seria quase certa a situação que agora vivo.
Como é triste ouvir todos os dias a mesma coisa… eu avisei, eu avisei; de tantas pessoas, que mais parece um coro ao meu redor.
E como dói lembrar do amor, da consideração, do afeto que tive, mas para quê? Para deixar meu mundo totalmente frágil diante dos seus olhos, olhos estes que hoje penso, apenas me estudavam, me vasculhavam, me supervisionavam para no momento certo me dar de presente o que recebi: vergonha, humilhação pública, agressão, tantas coisas feias que nem consigo lembrar.
Pena, é o que sinto da pequena…
Nunca a você ocorreu a quantidade de pedidos de perdão que tive de dar a todas as pessoas que presenciaram aquela cena absurda, com seus filhos fragilizados só por causa da irracionalidade e da vaidade que nunca levarão ninguém a lugar nenhum.
Nunca a você ocorreu quantas vezes tive de pedir às mães que não discriminassem a pequena, que continuem permitindo que ela tenha a amizade de suas filhas e filhos, ignorando a anormalidade que presenciaram.
Nunca a você ocorreu as lágrimas, o choro, o desespero da criança vendo sangue que vocês derramaram em nome dos “direitos” que eternamente bradam.
O que é o direito, eu pergunto? O direito se aplica às relações de homens e mulheres feitos, que são crescidos o suficiente para raciocinar sobre o que podem ousar querer.
Direito se aplica ao amor de uma criança? Uma criança só sabe amar, não sabe que na mente de adultos aquele amor significa um pecado horroroso.
Me sinto apunhalada, espancada no corpo e na alma. Traída, conspurcada, usada de forma horrivelmente torpe.
Enquanto seus xingamentos apunhalam os ouvidos da minha pequena, sabe o que fazemos? Nos abraçamos, choramos, e essa decepção, medo, revolta não estão só em mim, entenda bem.
Não me cobre amanhã o amor, a consideração desta pequena. Ela não quer ouvir falar coisas que a magoam, não quer ouvir que a mãe é isso, que o avô é aquilo.
Como é dolorido seu fel, eu me pergunto como é possível tanto veneno com pessoas que te acolheram, te defenderam, te amaram, te consideraram, abrindo as portas de casa e da alma?
Deus, como fui ingênua, minha alma está em fragelos.
Como foi ingênuo esperar algo diferente, acho que no fundo eu sempre soube que seu sentimento era algo que ganhei somente para perder depois. Somente para perder depois.
O grande problema desta história toda, e que te atrapalha muito é não entender que algumas vezes as pesssoas precisam de um tempo, de um tempo longe de você, pois as feridas que causa são profundas e dolorosas.
Não, eu não vou desperdiçar meu tempo, contrair rugas falando mal de você, desejando loucamente que minha pequena te odeie. Não vou me espelhar nos seus atos, não vou sair correndo atrás de aliados surreais (que na verdade eu nem gosto tanto assim, do mesmo jeito que eu sei, você no fundo não gosta), só pelo prazer de te magoar.
Meu altruísmo e minha consideração por mim mesma não me permitem tal indignidade.
Vou seguir, fazendo o que for possível, e o que for impossível não vou perseguir.
Estarei feliz se a pequena estiver feliz. No momento não estou pois ela não está, acredite em mim, pelo seu próprio bem, e mude, pelo bem do sentimento que esta criança ainda tem por você.
Adultos podem praguejar, gritar na janela, amaldiçoar pessoas, maldizê-las, mas não para uma criança que ama uma determinada pessoa com total devoção. O amor de uma criança é puro demais e se fragiliza por pouco. É por isso que prefiro estar calada, não é a mim que ela vai odiar por praguejar e maldizer quem quer que seja.
Eu te amei sim, mas você em conlúrio bobo e infantil com outros, agrediu uma das pessoas que mais amo na vida. Meu marido é tudo para mim, depois dos meus filhos.
Sim, ele é tudo para mim. Só de pensar no amor que um homem deste tem, em suportar coisas que outro naturalmente não suportaria, eu o amo mais.
Amo, por coisas que basta rebuscar no seu passado, e poderá lembrar. Amo, muitas vezes me apaixonando de novo. Você se lembra quando recebia seu marido, quando este te tomava nos braços, quando este te amava loucamente? Você se lembra quando seu marido, depois do amor olhava nos seus olhos e dizia “te amo tanto”, quero ficar com você para sempre…? Se lembra das noites cansadas, depois de colocar as crianças na cama quando vocês compartilhavam um chocolate quente na frente da TV e davam as mãos sentindo o dever cumprido? Lembra dos filmes, do cinema, das flores, do corpo dele junto do seu nas melhores noites? Lembra das vezes que choraram juntos e das crises que superaram? Lembra dos passeios, das viagens, do romance na praia, do pôr do sol lindo que contemplaram juntos? Lembra do carinho das mãos dele na sua barriga quando estava grávida? Lembra dos defeitos engraçados, do ronco, das roupas jogadas no chão e da cara de sem vergonha? Lembra dos planos, das férias, das coisas que sonharam juntos? Lembra simplesmente do beijo fora de hora que te deixava de corpo mole? Lembra de um sorriso que diz mais que mil palavras, da cor dos olhos, da pele, da barba roçando seu pescoço?… e muito, muito mais.
Se você lembra de alguma dessas coisas, não me pergunte o motivo da minha revolta, da minha decepção por tanto ódio para com uma pessoa tão maravilhosa, que só faz o bem, um cara correto, limpo, que até a você já defendeu tantas vezes. É merecido o que foi feito? Me diz, diante de tudo que acima coloquei que tipo de reação gostaria que tivesse? Até a mim me machucaram, empurra empurra, grosseria, agressividade. Isso é certo? É o tipo de atitude que gostaria de ensinar para esta pequena? Se for, no futuro possivelmente você terá prazer em buscá-la dentro de uma delegacia…
MAS NÃO……….meu Deus, não é isso que eu quero para minha filha? Como poderemos exigir dela um comportamento se não o temos? Como criar um filho com civilidade se este vive em meio à agressão, feia, torpe, gratuita. É assim, que pretende ajudar na criação de uma pequena como esta? Dizendo que o erro é o certo, afirmando que bater e agredir é o modo mais acertado de resolver problemas?
Novamente estou triste e um tanto o quanto sozinha, você infelizmente não vai poder ajudar a criar minha filha enquanto não estiver disposta a mostar o que é errado, não importando os motivos. Ações erradas são ações erradas, independente da raiva, do sentimento, seja como for, agredir, bater, esfolar é o recurso daqueles que são inábeis em argumentos.
De agora em diante vou fechar os olhos para o que vier, e apesar de saber de tudo não te vou rebater em nada. Um dia vai ficar claro, não existe comparativos entre nós.
Talvez eu ainda lembre das conversas gostosas que tínhamos, das esperanças que compartilhávamos, da ajuda que eu gostava de dar (o que adianta valores, montantes, dinheiro, se não para compartilhar, ajudar pessoas que amamos?), das festas, das risadas, da empatia. Talvez ainda lembre da amizade que tivemos, mesmo que esta não tenha sido verdadeira da sua parte. Importa o que senti, e durante algum tempo você me fez muito bem.
Se me machuca agora, essas cicatrizes vão ficar na sua alma também, isso é certo. Pode continuar entrelaces, tramóias, planos para me prejudicar. Pode até mesmo ficar com o troco, pois não vou retribuir em nada.
Minha alma está muito limpa, sem máculas, sem arrependimentos. Eu faria tudo de novo.
Meu coração ainda chora, mas como alguém que outro dia enxugou minhas lágrimas disse: você infelizmente não merece nenhuma delas.
A dor o tempo cura. Realmente dói quando morre alguém que você ama muito. Vou me recuperar.
Vou me concentrar na luta, no trabalho, para dar aos meus filhos tudo o que precisam e merecem, ainda mais agora que pensão neca, e apenas por esporte esporádico.
Você sabe que eu sou aquele tipo de mulher, que trabalha e luta para o melhor. Todos vão ter o melhor, o melhor de mim.
Te deixo na companhia daquela que amanhã será sua pior algoz, e que vai te castigar, e vai fazer doer. Lembre sempre, o poder corrompe pessoas.
Esse foi um desabafo profundo e póstumo de quem te amou profundamente.
O desabafo de uma órfã diante do grande afeto que morreu.
Uma música para este momento tão triste:













